Perimetral Metropolitana custará R$ 250 mi e vai beneficiar 600 mil pessoas por dia

Projeto de rodovia de 31 quilômetros foi anunciado pela Metroplan e deve ser finalizado até 2023

 

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Anunciado pela Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan) na última terça-feira, o projeto da Perimetral Metropolitanacomeçará a ser desenvolvido a partir de outubro. A rodovia terá 31 quilômetros de extensão e, partindo de Porto Alegre, vai ligar os municípios de Viamão, Alvorada, Gravataí e Cachoeirinha. De acordo com a Metroplan, o custo total da obra está orçado em R$ 250 milhões.

Na primeira etapa do projeto, que tem início no mês que vem, serão feitos estudos ambientais, de viabilidade econômica e elaborado o traçado básico. No segundo semestre de 2015, a Metroplan pretende contratar os projetos executivos. Na semana passada, o Ministério das Cidades anunciou a liberação de R$ 1 milhão para a elaboração das duas etapas. A verba está garantida pelo PAC – Pacto da Mobilidade.

Na terça-feira, os representantes dos cinco municípios firmaram um acordo de cooperação técnica e aprovaram a proposta. A obtenção dos R$ 250 milhões, porém, é complicada e depende de esforço de gestão, segundo o superintendente da Metroplan, Oscar Escher:

– Caberá aos novos gestores municipais e estaduais criarem uma solução de gestão e manutenção desses sistemas, que não são municipais e estaduais, e sim do conjunto de municípios do Estado. Vamos ter de avançar na nossa capacidade de gestão.

A principal função da nova rodovia, se sair do papel, é desafogar o trânsito na região central de Porto Alegre. Ela deve beneficiar, diariamente, até 600 mil pessoas. Ela foi desenhada com três pistas – duas para veículos e uma para ônibus –, calçada e ciclovia em ambos os sentidos.

Texto e arte: Zero Hora

Para especialista, uso do carro só diminuirá com conscientização do cidadão desde cedo

A próxima segunda-feira, dia 22 de Setembro, marca o dia mundial sem carro. Diversas ações acontecerão pelo mundo inteiro, destacando a importância de o cidadão usar mais o transporte público e menos os automóveis.

O especialista Dan Lopes Carvalho destaca que o mais importante para o cidadão voltar a usar o transporte coletivo é ele ser conscientizado desde muito jovem sobre a importância de evitar o uso do carro, “Entendo que nossas ações se tornariam mais eficientes se fossem direcionadas para as escolas públicas e privadas, com o objetivo de dialogar com o estudante, seja do ensino fundamental, médio ou superior, mostrando os benefícios de uma cidade que pensa o conceito de sustentabilidade na mobilidade urbana, contribuindo para formação do futuro cidadão brasileiro”, completa.

Dan Lopes Carvalho, que mora em Brasília, é arquiteto de Soluções de Mobilidade Urbana na Oracle. Veja a integra da entrevista, onde ele fala também do transporte público no país e na Região Metropolitana de Porto Alegre:

- Como funciona, aí em Brasília, o sistema de transporte, qual o seu diferencial (se tiver um) em relação ao resto do país?

Como em toda grande cidade no Brasil, Brasília também enfrenta um grande desafio de promover melhorias nos seu sistema de Transporte. O Distrito Federal possui hoje certa de 2.7 Milhões de habitantes e uma frota veicular de aproximada de 1.5 Milhões com uma distribuição favorecendo o transporte individual automotor, com cerca de 72% desse volume.

A Região Metropolitana do Distrito Federal possui acessos via ônibus convencional e rede metroviária e recentemente foi inaugurado o Expresso DF, um sistema que busca o conceito do Bus rapid transportation (BRT) para atender a saída sul do DF e melhorar o fluxo na via EPIA Sul. O Governo do Distrito Federal (GDF) tem buscado evoluir na melhoria do transporte público através do programa SIM (Sistema Integrado de Mobilidade) e já tem definido seu plano de transporte urbana com base nesse programa.

Uma das boas iniciativas do GDF foi o acordo para transferência de conhecimento com a cidade de Cingapura, conhecida por sua excelência no sistema de transporte urbano, essa parceria vai contribuir para que os gestores de Brasília possam analisar e traçar alguns comparativos de como a cidade asiática superou seus desafios e vem promovendo melhoria eu seu sistema de transporte urbano.

 - O que você acha do sistema de transportes da Região Metropolitana de Porto Alegre?

O sistema de transporte Metropolitano de Porto Alegre enfrenta o grande desafio de atender a população crescente na região periférica de Porto Alegre que busca em seu cotidiano as atividade no município de Porto Alegre, como trabalho, lazer e saúde e com essa visão faz-se imperativo uma rede integrada dos diversos modelos de transporte coletivo para a RMPA e o município de Porto Alegre.

O conceito de Mobilidade Urbana descrito na Lei 12.587/12 da presidência da República mostra que não podemos mais avaliar o desempenho do sistema de transporte com apenas renovação ou ampliação da frota mas com o diálogo que o sistema de transporte é capaz de produzir com o desenvolvimento urbano da cidade. Portanto, o sistema de transporte da Região Metropolitana de Porto Alegre é muito carente quando observamos a integração com o sistema de transporte do município.

 - Para você, qual o país que deveria servir de exemplo para o Brasil?

Parafraseando o prefeito de Denver: “O século 19th foi dos grandes impérios, o século 20th, dos grandes Estados e o século 21th será das grandes Cidades”.

Portanto não acho que o Brasil deva se comparar com outros países, mas cidades devem buscar como exemplo outras cidades com as mesmas características. Algumas cidades tem sido exemplo no desenvolvimento do sistema de Transporte Urbano e inclusive temos bons casos no Brasil como Curitiba e no mundo uma grande referência tem sido Cingapura na Ásia e Londres na Europa.

 - Qual, na sua opinião, é a melhor solução para se resolver os problemas de mobilidade urbana no Brasil?

Não existe uma solução pronta para resolver os problemas de mobilidade urbana, seja no Brasil ou em qualquer outro país. De fato, existem diversos sistemas que contribuem para melhorar o transporte urbano, promovendo maior eficiência na mobilidade urbana. Vejo como um grande mosaico que cada cidade deve avaliar e conhecer suas características para que possa entregar um sistema mais efetivo. E nesse ponto temos um grande desafio, pois as cidades não possuem muitos dados ou ferramentas para que possa construir um autoconhecimento e desenvolver políticas públicas para melhorar seus processos de planejamento, controle e fiscalização do sistema urbano.

Portanto, vejo que o primeiro passo é quebrar o paradigma de como se desenvolve o sistema de transporte, pois durante décadas construímos nossas cidades para serem consumidas e agora o conceito de mobilidade urbana quebra essa estratégia, pois o cidadão está inserido no sistema e não é apenas mais um consumidor. Com essa visão, resumo que os projetos de Mobilidade Urbana devem ser desenvolvidos com a conjunção da infraestrutura tradicional de transporte e de Tecnologia da Informação e Comunicação para o crescimento sustentável e qualidade de vida elevada, com uma governança colaborativa dos diversos setores da sociedade.

- Na próxima segunda-feira, dia 22, terá o dia mundial sem carro, onde será incentivado que as pessoas usem o transporte coletivo, para desafogar o trânsito. O que você pensa dessa ação? 

O dia 22 de setembro é instituído o dia mundial sem carro, uma ação que iniciou na França e ganhou grande repercussão no mundo, principalmente na comunidade européia que promove ações educativas durante toda semana para incentivar a reflexão sobre os prejuízos do uso excessivo do carro na qualidade de vida do cidadão. Infelizmente, as cidades brasileiras fazem ações pontuais e com pouca abrangência nesse dia.

Entendo que nossas ações se tornariam mais eficientes se fossem direcionadas para as escolas públicas e privadas com o objetivo de dialogar com o estudante, seja do ensino fundamental, médio ou superior, mostrando os benefícios de uma cidade que pensa o conceito de sustentabilidade na mobilidade urbana, contribuindo para formação do futuro cidadão brasileiro. Acredito ser muito mais fácil formar o cidadão com consciência sobre os princípios da mobilidade urbana, como priorizar o transporte coletivo e transporte não poluentes, á buscar ações de reflexão para promover mudanças de hábito.

- O que poderia ser feito para melhorar o transporte público e fazer com que as pessoas deixem de usar o carro? Será que só os problemas de lotação dos veículos, frotas antigas e desorganização nos horários impedem isso, ou tem mais coisas? 

Na verdade, os problemas com o transporte público não são recentes, porém com o crescimento exponencial da população urbana associado ao crescimento econômico do Brasil resultou numa espécie de “evasão” dos transportes coletivos para o transporte privativo.

As soluções para melhorar o transporte público vão além de renovações e expansão da malha viária. É preciso que o sistema de transporte público esteja em constante diálogo com o desenvolvimento urbano e para isso é necessário investimento na infraestrutura tradicional de transporte e infraestrutura moderna de Tecnologia da Informação e Comunicação para promover um planejamento, controle e fiscalização mais eficiente e com a participação de uma governança colaborativa entre governo, empresas e sociedade.

 - Você, por exemplo, trocaria seu carro para ir trabalhar de ônibus?

 Eu tomei a decisão de “trocar” meu carro pelo transporte coletivo metroviário em 2013. Portanto vou dar minha visão dos desafios que enfrento devido a essa escolha.

Primeiramente, gostaria de compartilhar que essa minha ação é devido ao meu envolvimento com o tema e pela necessidade de viver esses obstáculos diariamente e assim possuir uma visão mais realista dos desafios que o passageiro do transporte coletivo enfrenta.

Atualmente, minha residência situa-se à aproximadamente 25km do escritório da Oracle e tenho capacidade de utilizar metrô ou ônibus como transporte coletivo. Para pegar o metrô todos os dias, eu caminho aproximadamente 9minutos até a estação mais próxima e enfrento a dificuldade de falta de calçadas ou com muitos buracos e poucos locais para travessida de ruas com segurança. O Metrô leva em média 25 minutos até meu destino e por utilizar horários fora do pico, não tenho problemas com lotação e me sinto seguro em todo trajeto, pois é possível perceber que existe um controle e monitoramento constante de entrada e saída de passageiros. Outro fator que me agrada é a limpeza das estações e vagão e pode-se considerar isso ao fato de ser proibido consumir ou entrar com alimentos ou bebidas. Chegando ao meu destino, caminho mais 5 minutos até o escritório e mais um desafio, tenho que disputar as calçadas com as obras constantes de novos empreendimentos ou obras públicas. Portanto, meu trajeto não supera 1hora de viagem.

Ainda tenho muita dificuldade de saber o tempo de minha viagem exato, pois não existe comunicação de quanto tempo eu tenho que esperar pelo próximo trem. O custo da minha viagem é de R$ 6.00 por dia. Quando eu faço esse trajeto de carro, levo em média, se não existir nenhum incidente inesperado, 50 minutos. Portanto, analisando meu caso, o transporte coletivo não é atrativo, seja pela visão financeira, de segurança ou conforto.

Texto: João Pedro Zettermann

 

Travessias na região carbonífera têm prioridade no transporte hidroviário

DSC_0202   As prefeituras dos municípios da região carbonífera do estado se reuniram com a Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan) nesta segunda-feira (15/09),  em São Jerônimo. O motivo do encontro foi a apresentação do projeto do Plano Hidroviário. Hoje o estado conta com três travessias de passageiros: São Jerônimo e Triunfo; São José do Norte e Rio Grande; Porto Alegre e Guaíba. A travessia de Porto Alegre a Rio Grande  “permitiu um grande aprendizado, principalmente no ponto de vista de aprovação de projetos pela Marinha e órgão ambientais”, garante o diretor de Incentivo ao Desenvolvimento da Metroplan, Dante Larentis. A ideia da realização de um plano que incluísse diversas travessias surgiu a partir do interesse manifestado por municípios como Triunfo, Esteio e Eldorado do Sul. A meta é concluir algumas rotas ainda este ano. Deve ser publicado um edital para licitar a concessão das rotas do Jacuí e de Eldorado mais brevemente. Para definir as rotas da região, ainda é necessário um conjunto mínimo de informações. Um estudo de demanda vai ser realizado para incluir no levantamento de dados. A equipe da Metroplan percorreu a rota de São Jerônimo a Charqueadas para conhecer a profundidade e os possíveis atracadouros. O prefeito de Triunfo, Mauro Poeta, acredita veementemente na alternativa pluvial.  “É um transporte extremamente viável na região, tanto que já foi feito uma vez, antes da década de 1960, com outra tecnologia, outra condição e muito menos demanda, inclusive”, explana. Poeta ressaltou ainda a inclusão do Polo Petroquímico na travessia. Segundo ele centenas de ônibus  atendem os cerca de oito mil funcionários. “Se 50% dos funcionários pudesse ser atendido pelo transporte pluvial, seria um alívio nas vias”. A Metroplan está em contato com o Polo para conhecer a demanda e a melhor maneira de integrá-lo na rota. Segundo levantamento feito do transporte terrestre, só em agosto foram 15 mil usuários na linha Triunfo – Porto Alegre, totalizando 378 viagens, em média. Além do levantamento destas informações, está sendo desenvolvida uma pesquisa com os usuários. Serão uma ou duas perguntas para conhecer o interesse dos usuários em usar esse tipo de transporte.  O diretor Larentis garantiu que a travessia de passageiros entre São Jerônimo e Triunfo será licitada. O tipo de embarcação ainda deve ser definido, mas o modelo que se tem hoje é o utilizado na travessia até Guaíba. Confira o mapa atual do Plano Hidroviário.    Texto e fotos: Evelyn Heinrich

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Conforto pode levar motorista a optar por transporte público

Linhas de ônibus com internet wi-fi e ar-condicionado, como as que começaram a rodar ontem (2) na capital paulista, são mecanismos que podem atrair motoristas para o transporte público. É o que diz o canadense Todd Litman, especialista em mobilidade urbana, que participou de um seminário sobre o desestímulo ao uso do automóvel.

“As pessoas sentem uma sensação de dignidade quando sobem em um ônibus em São Paulo? Essa é a mudança mais importante que vocês podem alcançar: fazer com que [usar o transporte público] seja atraente para as pessoas”, afirmou Litman, ao participar do encontroo organizado pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema).

Diretor do Instituto de Políticas de Transporte de Victoria, no Canadá, Litman também ressaltou que as cidades devem se preparar para estimular o uso da bicicleta e a prática de caminhadas.

“São Paulo tem vias melhores para os carros, tem faixa exclusiva para ônibus, mas as calçadas são terríveis para os pedestres. É horrível para quem está em uma cadeira de rodas. Falo sobre uma cidade em que todos possam se movimentar”, disse ele. Para ele, os adeptos do transporte individual precisam ser convencidos também pelos aspectos da economia financeira e da redução de acidentes, bem como dos benefícios da prática de exercícios físicos.

Foto: Fábio Arantes

Foto: Fábio Arantes

O presidente do Iema, André Ferreira, destacou, por sua vez, outros benefícios da adoção de meios de transporte limpos, como a diminuição das emissões de gases poluentes e a melhoria da qualidade do ar. “Ao falar em combustível fóssil no Brasil, é preciso focar necessariamente em transporte”, disse Ferreira. Os dados apresentados por ele mostram que, dos quilômetros rodados hoje em transporte de passageiros, 96% dos deslocamentos ocorrem no transporte individual. “Os impactos disso ocorrem não só no congestionamento, mas há um conjunto de externalidades.”

Como exemplo dos benefícios provocados pela adoção de mecanismos para melhorar a eficiência do transporte coletivo, Ferreira apresentou um estudo do Iema sobre a implantação de faixas exclusivas para ônibus na cidade de São Paulo. A análise de três corredores mostrou que houve, além da diminuição do tempo de viagem, redução do consumo de combustível e da emissão de gás carbônico. Em algumas linhas, houve queda de 14,3%. “A faixa é algo mais tímido do que um corredor expresso. É uma medida de baixo custo, que trouxe ganhos na redução de todos os gases poluentes”, destacou.

Os impactos que a crescente motorização no transporte de passageiros provocam na saúde também foram abordados no seminário. O professor do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), Nelson Gouveia, lembrou que a Organização Mundial da Saúde (OMS) coloca a poluição do ar entre os dez principais fatores de risco para a saúde humana.

“As pesquisas mostram que morrem mais pessoas em dias mais poluídos, nos quais há também maior número de admissões hospitalares, principalmente por doenças cardiovasculares”, disse o professor.

Fonte: Mobilize Brasil

Metroplan pretende ligar cidades por meio de rios

Ele ainda é apenas um plano, mas, a partir do desenho finalizado agora pelo grupo de trabalho formado pela Metroplan, começa a se tornar mais real o transporte hidroviário como alternativa ao saturado trânsito da região metropolitana de Porto Alegre.

Com rotas definidas para o Guaíba, Sinos, Jacuí e Gravataí, o grupo formado por técnicos da Metroplan, da Marinha do Brasil e da Superintendência de Portos e Hidrovias ouviu prefeituras para colher sugestões e definir rotas com estimativa de entrarem em operação a curto, médio e longo prazo.

Em Porto Alegre, diversos são os pontos considerados de curto prazo – cinco anos –, como a estação prevista para Ipanema, Beira-Rio e Praia de Belas. Já Belém Novo, Lami e Itapuã são realidades mais a médio prazo, estimado em 15 anos. A longo prazo, a estimativa vai até 2045, quando num prazo de 30 anos o grupo considera possível ter estações ligando Esteio e Sapucaia, Canoas e Cachoeirinha, por exemplo.

“Essa é uma primeira etapa que é como um norte para o resto do processo. Por esse planejamento, em 15 anos teríamos toda a rede implantada, mas o fato é que agora nós temos uma malha hidroviária para irmos à luta”, comemora o superintendente da Metroplan, Oscar Escher.

Para dar visibilidade ao plano, o projeto foi protocolado junto ao Ministério das Cidades, na tentativa de ser incluído no orçamento do governo federal do ano que vem. Mesmo em tempos de eleições, Escher acredita na impessoalidade do trabalho que deverá, assim, ser levado adiante. “O importante é não parar. Mesmo que passem as pessoas, os projetos de interesse público devem continuar”, argumenta ele.

Rede Hidroviária Metropolitana

Rede Hidroviária Metropolitana

Orla do Guaíba em estudo

Ao unir forças, Metroplan e EPTC trabalham para que novos pontos, além do Centro e do BarraShoppingSul – em fase de liberação –, se tornem realidade na capital.

Na próxima segunda-feira, devem chegar as propostas para a Ilha da Pintada. Diretor-presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari adianta também que um grupo técnico já trabalha na elaboração do edital de concessão de toda a orla do Guaíba.

Com base em editais de Vitória, Rio de Janeiro e cidades na Amazônia, a ideia é que ele seja publicado até abril. “Desde o Lami até a Arena do Grêmio será possível ter transporte hidroviário desde que haja interessados em fazer a operação”, observa.

 

Fonte: Jornal Metro

Arquiteto sugere política de habitação de áreas já ocupadas

A fim de buscar uma forma de integrar políticas de mobilidade e desenvolvimento urbano, o Grupo de Trabalho (GT) Mobilidade Urbana do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (Cdes-RS, ou Conselhão) convidou para uma palestra o arquiteto e urbanista Emilio Merino. Consultor especializado em transporte e mobilidade, Merino apresentou dados levantados em congressos a respeito do assunto ao longo dos últimos 15 anos no Brasil. Uma das constatações do especialista é a necessidade de investimento em uma política de habitação de áreas já ocupadas, sobretudo as providas de transporte público, para que os investimentos nos dois setores não fiquem dispersos.

Em 2011, segundo Merino, 84% dos brasileiros viviam em áreas urbanas. A estimativa é de que, em 2050, esse percentual suba para 94%, com apenas 6% em áreas rurais. “O problema se tornará cada dia mais grave, daí a urgência em se analisar os cenários urbanos e se elaborar propostas e diretrizes que criem essa inter-relação do Plano de Desenvolvimento Urbano (PDU) com o Plano de Mobilidade Urbana (PMU) dos municípios e dos estados”, afirma o consultor.

As políticas públicas atuais voltadas para a resolução dos problemas de transporte são insuficientes, conforme Merino. Um cruzamento de dados com base nos registros do Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) e nas estimativas populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2013 mostra que o Brasil já tem um automóvel para cada 4,4 habitantes. Há dez anos, a proporção era de 7,4 pessoas para cada carro.

Segundo Merino, projetos atuais são insuficientes para sanar os problemas de transporte

Segundo Merino, projetos atuais são insuficientes para sanar os problemas de transporte

Para o especialista, o motivo de tantos carros particulares é a presença de um sistema de transporte público ineficiente, com baixa qualidade de serviço e superlotado, que cria um ciclo vicioso. “A ineficiência na gestão do transporte causa uma queda na demanda e nas receitas. Com isso, as empresas responsáveis pelo serviço precisam concentrar suas rotas e linhas e aumentar as tarifas, o que dificulta o acesso da população ao transporte”, explica Merino.

Os principais fatores considerados para a mobilidade de uma pessoa pela cidade são sua renda, seu nível de educação e sua idade. “Quanto maior sua renda, seu nível de escolaridade e menor a sua idade, mais a pessoa tem necessidade de movimentação pelo município”, explica o arquiteto.

É necessário, de acordo com Merino, desenvolver uma Política Nacional de Desenvolvimento Urbano (PNDU) que integre a Política Nacional de Habitação (PNH), a Política de Mobilidade Urbana (PMU) e a Política Nacional de Saneamento Ambiental (PNSA). “Não é possível que a PNDU continue sendo um somatório de políticas setoriais, sem integrá-las de fato”, pondera.

A pauta comum entre todos esses programas é a criação de uma política de habitação de áreas já ocupadas, sobretudo as que já são providas com um sistema de transporte. “O governo pode estimular, por exemplo, a construção de unidades habitacionais onde não haja necessidade de viagens longas para se ter acesso a serviços públicos”, opina. A preocupação do consultor tem como fonte a crescente quantidade de condomínios e bairros fechados em locais distantes de Porto Alegre, o que gera uma nova demanda de transporte para a região.

Para conselheiros, falta organização entre os gestores

No Brasil, somente 3,8% das cidades têm um plano de mobilidade urbana aprovado. Na região Sul, o número cai para 3,5%. Os gestores municipais, segundo o arquiteto e urbanista Emilio Merino, alegam dificuldade de integrar as secretarias necessárias e falta de recursos para esse fim.

Para o conselheiro do Cdes-RS Mauri Cruz, o problema é descobrir o que fazer para que essa organização dos municípios realmente ocorra. “Já está prevista na Lei da Mobilidade Urbana (12.587/12) essa necessidade, então não precisamos convencer ninguém. Basta nos organizarmos”, destaca. Cruz aponta duas saídas: um conselho ter que aprovar a aplicação dos recursos voltados para a mobilidade urbana, como já acontece na área da educação, ou discutir a matriz tributária dos recursos, dando mais autonomia para os municípios.

O técnico da Metroplan Pedro Araújo mencionou a necessidade de melhorar o que já existe. “Hoje em dia, as moradias do Minha Casa Minha Vida, por exemplo, têm que ser localizadas em áreas urbanas, obrigatoriedade que não existia antes. Temos que criar critérios para a expansão urbana e colocá-los no plano de desenvolvimento urbano dos municípios, para que os gestores tenham uma guia”, ressalta.

Cora Casanova, representante da Secretaria Estadual de Habitação e Saneamento (Sehabs), salientou a necessidade de criar um sistema de organização que evite ações de urgência. “Precisamos fazer as coisas sem pressa, sem precisar apagar fogo, que tudo dê certo dentro de um planejamento. Mas, para isso acontecer, é preciso qualificar os gestores”, analisa.

Uma das ações que o Rio Grande do Sul vem priorizando, conforme Cora, é o desenvolvimento de cidades fronteiriças, onde há muitas áreas rurais. “Criando atrativos, as pessoas permanecem no campo e não pioram o caos que já existe nas cidades grandes”, explica.

Fonte: Isabella Sander / Jornal do Comércio

Foto: Fredy Vieira / Jornal do Comércio

Assalto a ônibus cai mais de 70% com a implantação de câmeras de monitoramento na Região Metropolitana

O número de assaltos nos ônibus em Alvorada, chegava a 20 por dia e mais de 600 por mês, de acordo com a empresa Soul. Em 2007, o número começou a reduzir, com a implantação do sistema de bilhetagem eletrônica. O uso do cartão fez com que os passageiros não andassem com dinheiro dentro do veículo.

Mas foi em janeiro de 2012 que o transporte coletivo da cidade deu um passo à frente na sua qualidade e segurança. Os 270 veículos da Sociedade de Ônibus União Limitada (Soul), empresa responsável pelo transporte na cidade, foram equipados com câmeras de monitoramento. Isto, junto com o sistema de bilhetagem colocado em prática cinco anos antes, fez o número de assaltos cair em mais de 70%. A nova tecnologia ajuda na segurança tanto dos usuários, tanto do cobrador e do motorista, conforme Marcelo Ternus, gerente de operações da Soul.

O gerente de operações, explica como funciona o monitoramento das imagens “Nós temos o CCO (Centro de Controle Operacional) que cuida deste monitoramento. As imagens são gravadas em um chip, que é trocado sempre que o ônibus volta para a garagem, para que o antigo seja monitorado”, completa Marcelo.

As imagens coletadas pelos chips ficam armazenadas no sistema por 15 dias. Um novo sistema, por GPS, está em funcionamento em 25 novos veículos. Ele consegue ver a velocidade e o local onde o ônibus está. Outro fator positivo é a possibilidade de guardar as imagens por um mês.

A importância do sistema de câmeras para a segurança também é destacada pelo motorista Paulo César Aurélio, de 44 anos, “Trabalho na Soul a quatro anos e fui assaltado quatro vezes. Três delas antes do sistema entrar em vigor. Me sinto muito mais seguro hoje do que antes”, disse ele. Para o usuário, a tecnologia ajudou não só na segurança, mas também na forma de ver o transporte público. “Antigamente, acordava mais cedo e ia trabalhar a pé, por ter medo de ser assaltado no ônibus. Hoje, com o monitoramento, está bem melhor, não conheço ninguém que tenha sido assaltado no último ano, por exemplo. Já consigo ir para o trabalho de ônibus sem receio algum”, disse o estudante Gabriel Leite.

Outra tecnologia que está perto de ser colocada em prática é o reconhecimento facial. Já em fase de teste em ônibus da Região Metropolitana, a tecnologia ajudará a controlar o uso indevido das gratuidades no transporte público, como destaca Marcelo Ternus “É uma segurança para quem realmente tem direito a gratuidade e também previne o furto. Antes, existia um número de uso indevido muito alto. A expectativa é que isso diminua. É um aperfeiçoamento importante para o usuário”, completa.

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Texto e fotos: João Pedro Zettermann