China pode testar ônibus-túnel

thumb-o-projeto-do-land-air-bus1Um projeto que promete revolucionar o transporte mundial estaria prestes a chegar à China. Com todos os benefícios de um metrô, mas sem os custos da escavação, o Land Air Bus é um ônibus-túnel em formato de arco que pode trafegar sobre os carros. A ideia surgiu há três anos e era considerada utópica até recentemente. A TBS China, uma empresa de transporte local, estaria envolvida na execução e divulgou um vídeo com as características da novidade.

De acordo com a empresa, os idealizadores do projeto acreditam que o Land Air Bus diminuirá o trânsito em até 30% – com quatro vagões e espaço para 1.200 passageiros, o ônibus poderá trafegar na cidade mesmo quando houver congestionamento.

Outros benefícios são a facilidade para a construção. Apesar de transportar quase a mesma quantidade de pessoas que um metrô, o ônibus-túnel custaria muito menos para ser construído. Outra vantagem é que a construção da estrutura para suportar esse tipo de transporte levaria três vezes menos tempo.

A ideia também é sustentável – o ônibus, que chega a 60 km/h, utilizaria painéis solares e eletricidade para a locomoção.

Fonte: Mobilize Brasil

Expansão de ciclovias em metrópoles anima negócios

A expansão das ciclovias é uma realidade em grandes centros urbanos do País. Nos últimos anos, com o apelo de um meio de transporte mais sustentável e os engarrafamentos que inviabilizam o deslocamento em algumas áreas de capitais, as bicicletas se tornaram uma opção.
A reboque dos movimentos de ciclistas, prefeituras ampliaram a malha cicloviária. Além de garantir um transporte mais seguro para os adeptos da magrela, essa iniciativa está impulsionando diversos negócios relacionados às bikes.

São Paulo tem vários exemplos. O experiente empresário Clademilson Torres dos Santos, que trabalhou por 22 anos no mercado financeiro, comprou uma bicicletaria. “Aproveitei o momento em que a cidade está discutindo a bicicleta, querendo pedalar e que as ciclovias estão se espalhando para sair do meu antigo emprego e ir atrás do que me faz feliz”, contou Santos. Conhecido como Guga entre os ciclistas, ele trabalhava como superintendente comercial do Banco Safra até 90 dias atrás.

“O mercado das bicicletas mudou de forma geral. Estamos percebendo que tem aumentado o ciclista urbano, aquele que quer pedalar para conhecer os locais da cidade ou chegar ao trabalho em um bicicleta estilosa”, afirmou.

Santos abriu a primeira loja há três anos em uma galeria na rua Augusta, já na altura da avenida Paulista. Depois, largou o antigo emprego. Além de aproveitar o momento atual da capital paulista, o empresário resolveu também dedicar-se à nova loja, na rua Peixoto Gomide, no Jardim Paulista, especializada em mountain bike e em outras categorias de ciclismo. “E vamos expandir. Em breve inauguro a terceira loja.”

O empresário afirma que, apesar de faturar menos do que ganhava quando trabalhava na área financeira, sente-se feliz por estar no ramo de que gosta e por ter trocado os ternos e sapatos por camisetas, bermudas e tênis.

O comerciante Victor Hugo Duran Torrico, de 41 anos, sempre trabalhou com pequenos negócios. Quando comprou e assumiu a bicicletaria de um amigo, na rua Doutor Albuquerque Lins, região central de São Paulo, seguiu o conselho do pai, mecânico de bicicletas há 50 anos. “Foi incrível terem feito uma ciclovia na frente da minha loja 15 dias depois da inauguração. Hoje, a clientela está ligada a essa faixa. Muita gente traz a bicicleta que estava parada havia anos para arrumar. Outros compram modelos novos.”

Ao assumir o comércio, a expectativa de faturamento mensal era de R$ 8 mil, o mesmo que o antigo dono ganhava mensalmente. Com a ciclovia, o caixa de Torrico registra R$ 20 mil por mês.

Dono de uma pequena oficina na rua Doutor Carvalho de Mendonça, também no Centro, o mecânico José Edmilson da Silva, de 53 anos, conhecido como Bigode, arrumava bicicletas todos os domingos no Minhocão. “Eu fazia serviços como troca de pneu e corrente. Cobrava no máximo R$ 30,00.”

Agora, aos domingos, ele não precisa mais ir até os ciclistas. “Eu deixo uma placa lá no Minhocão e eles vêm até aqui empurrando a bicicleta. Às vezes, faço o resgate de moto.” Silva também está trabalhando mais. “Antes das ciclovias, eu montava três bicicletas por mês, mesma quantidade que tenho feito por semana. O movimento melhorou em 30%.”

“Geralmente, arrumo bicicletas que estavam abandonadas de gente que resolveu pedalar após a criação das ciclovias”, afirmou Silva. Enquanto a reportagem conversava com ele, na semana passada, quatro clientes foram até o local retirar as bicicletas. “A maioria dos clientes mora no Centro e está indo trabalhar de bicicleta.”

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Escola no Parque Marinha ensina os adultos a pedalar

O projeto BiciEscola Parque Marinha funciona em Porto Alegre desde janeiro do ano passado e ensina adultos a pedalar. A ação está concorrendo ao Prêmio Mobilidade Minuto, promovido pelo Instituto Cidade em Movimento. A distinção contempla iniciativas realizadas em favor da melhoria da mobilidade urbana.

A BiciEscola Parque Marinha oferece cursos a adultos que aprendem a andar de bicicleta. Nesses 21 meses de operação, o projeto já permitiu que mais de 650 pessoas participem de quatro aulas gratuitas. A iniciativa resgatou o uso do Velódromo do Parque Marinha, espaço público que se encontrava praticamente abandonado até então.

A BiciEscola concorre na categoria Qualidade do Espaço Público da Mobilidade. No total, são seis categorias decididas pelo corpo de jurados e um prêmio especial de inovação em mobilidade, a ser definido por voto popular na internet. Os vencedores do prêmio serão anunciados na próxima quinta-feira, e o projeto concorre com iniciativas de todo o País.

A BiciEscola Parque Marinha é impulsionada pelas organizações não-governamentais Centro de Inteligência Urbana Porto Alegre e UrbsNova, da loja Dudu Bike, com apoio da prefeitura de Porto Alegre. Participam do projeto as secretarias municipais de Governança e de Esportes, além da Empresa Pública de Transporte e Circulação, Runna Bikes e patrocínio de Banco Itaú.

O Instituto Cidade em Movimento é uma associação sem fins lucrativos com sede na França – Institut Pour La Ville em Mouvement —, instituição criada em 2000.

Em São Paulo, pistas compartilhadas com pedestres são criticadas

Ao menos 12,1 quilômetros de ciclovias em São Paulo ficam em calçadas ou calçadões, e outro trecho deve ser entregue nos próximos dias no Centro. Ciclistas e pedestres ouvidos pela reportagem apoiam a expansão da malha, mas criticam a sua instalação em locais compartilhados.

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), responsável pelo projeto e pela implementação das ciclovias em São Paulo, define esse tipo de ciclovia como “compartilhada”.
“Sou a favor das ciclovias, mas não na calçada. Por que não fizeram na rua? As calçadas daqui estão cheias de idosos”, reclama o cartorário Geilson Borges, de 46 anos.

Para o presidente da Associação Brasileira de Pedestres (Abraspe), Eduardo José Daros, o ideal é que pedestres tenham espaços separados, pois andam em velocidades e direções diferentes.
“Há calçadas na hora do almoço em que ninguém consegue andar. Aplaudo as ciclovias, mas parece que vai ser mais fácil resolver o problema da bicicleta do que o do pedestre.”

Paralelamente, o campus do Butantã da Universidade de São Paulo (USP) vai ganhar uma ciclovia. Segundo a prefeitura da Cidade Universitária, um memorando está em fase de finalização para a contratação de um plano cicloviário. Mas não há prazo para a instalação.

Fonte: Jornal do Comércio

São Paulo terá primeiro túnel exclusivo para ônibus

Como parte do futuro BRT (Bus Rapid Transit) na Radial Leste, a prefeitura de São Paulo deve construir um túnel com 700 metros de extensão nas imediações do Parque Dom Pedro II para uso exclusivo dos ônibus.

O prefeito Fernando Haddad apresentou nesta sexta-feira (17) o projeto da estrutura que ligará o viaduto Antonio Nakashima, na região da avenida do Estado, à avenida Alcântara Machado. “Vamos fazer um túnel de acesso ao Parque Dom Pedro. É o primeiro túnel construído exclusivamente para transporte coletivo, e só com isso vamos economizar 15 minutos porque vai evitar um contorno irracional. O ônibus vai chegar diretamente no terminal”, afirmou Haddad. “É a maior obra de mobilidade urbana da história de São Paulo”, completou o prefeito.

São PauloO BRT da Radial terá piso rígido em concreto, faixa de ultrapassagem nas paradas, além do pagamento de tarifa nas próprias paradas, dando agilidade ao sistema. O corredor deverá beneficiar 220 mil pessoas por dia. Outros dois corredores, o Radial Leste 2, com 5 quilômetros e o Leste com 14 quilômetros, completarão todo a extensão da avenida até chegar ao Terminal Itaquera. As obras estão previstas para iniciar ainda neste mês.

Texto e foto: Mobilize Brasil

Estudo espanhol visa melhorar urbanização mundial

Arquiteto espanhol Josep Maria Llop Torné

Arquiteto espanhol Josep Maria Llop Torné

A comunicação da Metroplan entrevistou o arquiteto Josep Maria Llop Torné, diretor da Unión Internacional de los Arquitectos (UIA) e professor da Universidade de Lleida, na Catalunha. Torné conversará com técnicos sobre conceitos e instrumentos básicos de planejamento e gestão urbana, na sede da Metroplan, no dia 20 de outubro. Na entrevista, o professor falou sobre o estudo que conduziu junto ao grupo de arquitetos, intitulado “Ciudades Intermedias y Urbanización Mundial”.

 - O que é o Programa UIA-CIMES?

O programa UIA-CIMES é uma linha de trabalho, da UIA ou Nação Internacional dos Arquitetos que eu dirijo. Em contato com uma rede de profissionais da cidade em todo o mundo. Além disso, desde o ano 2008 esse grupo ou rede foi considerado como Cátedra UNESCO pela Direção de Educação Superior da UNESCO, em Paris. Além da rede hoje, nestes trabalhos, nos acompanham oito universidades.

- Qual o objetivo do trabalho “Ciudades Intermedias y Urbanización Mundial”?

O objetivo principal do trabalho sobre as cidades intermediárias é colocar em valor esta escala de cidades, para que a urbanização mundial seja melhor. Uma vez que são áreas mais urbanas de 50 mil habitantes, existem cerca de 10 mil em todo o mundo, mas é que hoje 62% da população urbana do mundo vivem em cidades de menos de 1 milhão  de habitantes. Além disso, só havia 442 cidades de mais de 1 milhão em 2010, quando já havia umas 3.647 de mais de 10 mil habitantes.

- Quais conclusões importantes foram possíveis tirar deste estudo?

As questões mais importantes do estudo e do trabalho em rede que posso destacar são as seguintes:

1- Os valores das escalas intermediárias, das funções e do rol de intermediação são contribuições que melhoram os conhecimentos e os métodos de governo urbano. Para que a urbanização gere desenvolvimento, ou seja, riqueza e uma melhor distribuição da mesma.

2 – Além disso, estamos produzindo em três linhas ou níveis de trabalho e propostas para materializar resultados nos três itens antes citados.

a)Publicações científicas e/ou acadêmicas para definir melhor esse novo paradigma de urbanização intermediação

b)Colaborar com UCLG (United Cities and Local Governments) em um grupo de trabalho sobre “Ciudades intermedias”.

c) Colaborar com ONU-HABITAT e outras entidades na difusão de um – método de planificação de base – plano com um único plano. Urbanismo do tipo simples e claro, que permita ampliar a participação das pessoas em entender e em melhorar o plano de suas cidades, para que a proposta do “slum upgrading” (urbanização de favelas) permita além de “city upgrading” (modernização das cidades).

- Que contribuições (o estudo) pode dar às cidades brasileiras, especificamente as gaúchas?

As cidades de seu entorno podem estar dentro do conceito ou de paradigma de “cidades intermediárias”e também podem participar, como tal em alguma das 3 linhas ou níveis de trabalho – Incorporando em cada uma os atores correspondentes: universidade, administração local ou regional e também profissionais (a, b e c, respectivamente).

Texto: Evelyn Heinrich

Foto: Arquivo pessoal

Perimetral Metropolitana custará R$ 250 mi e vai beneficiar 600 mil pessoas por dia

Projeto de rodovia de 31 quilômetros foi anunciado pela Metroplan e deve ser finalizado até 2023

 

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Anunciado pela Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan) na última terça-feira, o projeto da Perimetral Metropolitanacomeçará a ser desenvolvido a partir de outubro. A rodovia terá 31 quilômetros de extensão e, partindo de Porto Alegre, vai ligar os municípios de Viamão, Alvorada, Gravataí e Cachoeirinha. De acordo com a Metroplan, o custo total da obra está orçado em R$ 250 milhões.

Na primeira etapa do projeto, que tem início no mês que vem, serão feitos estudos ambientais, de viabilidade econômica e elaborado o traçado básico. No segundo semestre de 2015, a Metroplan pretende contratar os projetos executivos. Na semana passada, o Ministério das Cidades anunciou a liberação de R$ 1 milhão para a elaboração das duas etapas. A verba está garantida pelo PAC – Pacto da Mobilidade.

Na terça-feira, os representantes dos cinco municípios firmaram um acordo de cooperação técnica e aprovaram a proposta. A obtenção dos R$ 250 milhões, porém, é complicada e depende de esforço de gestão, segundo o superintendente da Metroplan, Oscar Escher:

– Caberá aos novos gestores municipais e estaduais criarem uma solução de gestão e manutenção desses sistemas, que não são municipais e estaduais, e sim do conjunto de municípios do Estado. Vamos ter de avançar na nossa capacidade de gestão.

A principal função da nova rodovia, se sair do papel, é desafogar o trânsito na região central de Porto Alegre. Ela deve beneficiar, diariamente, até 600 mil pessoas. Ela foi desenhada com três pistas – duas para veículos e uma para ônibus –, calçada e ciclovia em ambos os sentidos.

Texto e arte: Zero Hora

Para especialista, uso do carro só diminuirá com conscientização do cidadão desde cedo

A próxima segunda-feira, dia 22 de Setembro, marca o dia mundial sem carro. Diversas ações acontecerão pelo mundo inteiro, destacando a importância de o cidadão usar mais o transporte público e menos os automóveis.

O especialista Dan Lopes Carvalho destaca que o mais importante para o cidadão voltar a usar o transporte coletivo é ele ser conscientizado desde muito jovem sobre a importância de evitar o uso do carro, “Entendo que nossas ações se tornariam mais eficientes se fossem direcionadas para as escolas públicas e privadas, com o objetivo de dialogar com o estudante, seja do ensino fundamental, médio ou superior, mostrando os benefícios de uma cidade que pensa o conceito de sustentabilidade na mobilidade urbana, contribuindo para formação do futuro cidadão brasileiro”, completa.

Dan Lopes Carvalho, que mora em Brasília, é arquiteto de Soluções de Mobilidade Urbana na Oracle. Veja a integra da entrevista, onde ele fala também do transporte público no país e na Região Metropolitana de Porto Alegre:

- Como funciona, aí em Brasília, o sistema de transporte, qual o seu diferencial (se tiver um) em relação ao resto do país?

Como em toda grande cidade no Brasil, Brasília também enfrenta um grande desafio de promover melhorias nos seu sistema de Transporte. O Distrito Federal possui hoje certa de 2.7 Milhões de habitantes e uma frota veicular de aproximada de 1.5 Milhões com uma distribuição favorecendo o transporte individual automotor, com cerca de 72% desse volume.

A Região Metropolitana do Distrito Federal possui acessos via ônibus convencional e rede metroviária e recentemente foi inaugurado o Expresso DF, um sistema que busca o conceito do Bus rapid transportation (BRT) para atender a saída sul do DF e melhorar o fluxo na via EPIA Sul. O Governo do Distrito Federal (GDF) tem buscado evoluir na melhoria do transporte público através do programa SIM (Sistema Integrado de Mobilidade) e já tem definido seu plano de transporte urbana com base nesse programa.

Uma das boas iniciativas do GDF foi o acordo para transferência de conhecimento com a cidade de Cingapura, conhecida por sua excelência no sistema de transporte urbano, essa parceria vai contribuir para que os gestores de Brasília possam analisar e traçar alguns comparativos de como a cidade asiática superou seus desafios e vem promovendo melhoria eu seu sistema de transporte urbano.

 - O que você acha do sistema de transportes da Região Metropolitana de Porto Alegre?

O sistema de transporte Metropolitano de Porto Alegre enfrenta o grande desafio de atender a população crescente na região periférica de Porto Alegre que busca em seu cotidiano as atividade no município de Porto Alegre, como trabalho, lazer e saúde e com essa visão faz-se imperativo uma rede integrada dos diversos modelos de transporte coletivo para a RMPA e o município de Porto Alegre.

O conceito de Mobilidade Urbana descrito na Lei 12.587/12 da presidência da República mostra que não podemos mais avaliar o desempenho do sistema de transporte com apenas renovação ou ampliação da frota mas com o diálogo que o sistema de transporte é capaz de produzir com o desenvolvimento urbano da cidade. Portanto, o sistema de transporte da Região Metropolitana de Porto Alegre é muito carente quando observamos a integração com o sistema de transporte do município.

 - Para você, qual o país que deveria servir de exemplo para o Brasil?

Parafraseando o prefeito de Denver: “O século 19th foi dos grandes impérios, o século 20th, dos grandes Estados e o século 21th será das grandes Cidades”.

Portanto não acho que o Brasil deva se comparar com outros países, mas cidades devem buscar como exemplo outras cidades com as mesmas características. Algumas cidades tem sido exemplo no desenvolvimento do sistema de Transporte Urbano e inclusive temos bons casos no Brasil como Curitiba e no mundo uma grande referência tem sido Cingapura na Ásia e Londres na Europa.

 - Qual, na sua opinião, é a melhor solução para se resolver os problemas de mobilidade urbana no Brasil?

Não existe uma solução pronta para resolver os problemas de mobilidade urbana, seja no Brasil ou em qualquer outro país. De fato, existem diversos sistemas que contribuem para melhorar o transporte urbano, promovendo maior eficiência na mobilidade urbana. Vejo como um grande mosaico que cada cidade deve avaliar e conhecer suas características para que possa entregar um sistema mais efetivo. E nesse ponto temos um grande desafio, pois as cidades não possuem muitos dados ou ferramentas para que possa construir um autoconhecimento e desenvolver políticas públicas para melhorar seus processos de planejamento, controle e fiscalização do sistema urbano.

Portanto, vejo que o primeiro passo é quebrar o paradigma de como se desenvolve o sistema de transporte, pois durante décadas construímos nossas cidades para serem consumidas e agora o conceito de mobilidade urbana quebra essa estratégia, pois o cidadão está inserido no sistema e não é apenas mais um consumidor. Com essa visão, resumo que os projetos de Mobilidade Urbana devem ser desenvolvidos com a conjunção da infraestrutura tradicional de transporte e de Tecnologia da Informação e Comunicação para o crescimento sustentável e qualidade de vida elevada, com uma governança colaborativa dos diversos setores da sociedade.

- Na próxima segunda-feira, dia 22, terá o dia mundial sem carro, onde será incentivado que as pessoas usem o transporte coletivo, para desafogar o trânsito. O que você pensa dessa ação? 

O dia 22 de setembro é instituído o dia mundial sem carro, uma ação que iniciou na França e ganhou grande repercussão no mundo, principalmente na comunidade européia que promove ações educativas durante toda semana para incentivar a reflexão sobre os prejuízos do uso excessivo do carro na qualidade de vida do cidadão. Infelizmente, as cidades brasileiras fazem ações pontuais e com pouca abrangência nesse dia.

Entendo que nossas ações se tornariam mais eficientes se fossem direcionadas para as escolas públicas e privadas com o objetivo de dialogar com o estudante, seja do ensino fundamental, médio ou superior, mostrando os benefícios de uma cidade que pensa o conceito de sustentabilidade na mobilidade urbana, contribuindo para formação do futuro cidadão brasileiro. Acredito ser muito mais fácil formar o cidadão com consciência sobre os princípios da mobilidade urbana, como priorizar o transporte coletivo e transporte não poluentes, á buscar ações de reflexão para promover mudanças de hábito.

- O que poderia ser feito para melhorar o transporte público e fazer com que as pessoas deixem de usar o carro? Será que só os problemas de lotação dos veículos, frotas antigas e desorganização nos horários impedem isso, ou tem mais coisas? 

Na verdade, os problemas com o transporte público não são recentes, porém com o crescimento exponencial da população urbana associado ao crescimento econômico do Brasil resultou numa espécie de “evasão” dos transportes coletivos para o transporte privativo.

As soluções para melhorar o transporte público vão além de renovações e expansão da malha viária. É preciso que o sistema de transporte público esteja em constante diálogo com o desenvolvimento urbano e para isso é necessário investimento na infraestrutura tradicional de transporte e infraestrutura moderna de Tecnologia da Informação e Comunicação para promover um planejamento, controle e fiscalização mais eficiente e com a participação de uma governança colaborativa entre governo, empresas e sociedade.

 - Você, por exemplo, trocaria seu carro para ir trabalhar de ônibus?

 Eu tomei a decisão de “trocar” meu carro pelo transporte coletivo metroviário em 2013. Portanto vou dar minha visão dos desafios que enfrento devido a essa escolha.

Primeiramente, gostaria de compartilhar que essa minha ação é devido ao meu envolvimento com o tema e pela necessidade de viver esses obstáculos diariamente e assim possuir uma visão mais realista dos desafios que o passageiro do transporte coletivo enfrenta.

Atualmente, minha residência situa-se à aproximadamente 25km do escritório da Oracle e tenho capacidade de utilizar metrô ou ônibus como transporte coletivo. Para pegar o metrô todos os dias, eu caminho aproximadamente 9minutos até a estação mais próxima e enfrento a dificuldade de falta de calçadas ou com muitos buracos e poucos locais para travessida de ruas com segurança. O Metrô leva em média 25 minutos até meu destino e por utilizar horários fora do pico, não tenho problemas com lotação e me sinto seguro em todo trajeto, pois é possível perceber que existe um controle e monitoramento constante de entrada e saída de passageiros. Outro fator que me agrada é a limpeza das estações e vagão e pode-se considerar isso ao fato de ser proibido consumir ou entrar com alimentos ou bebidas. Chegando ao meu destino, caminho mais 5 minutos até o escritório e mais um desafio, tenho que disputar as calçadas com as obras constantes de novos empreendimentos ou obras públicas. Portanto, meu trajeto não supera 1hora de viagem.

Ainda tenho muita dificuldade de saber o tempo de minha viagem exato, pois não existe comunicação de quanto tempo eu tenho que esperar pelo próximo trem. O custo da minha viagem é de R$ 6.00 por dia. Quando eu faço esse trajeto de carro, levo em média, se não existir nenhum incidente inesperado, 50 minutos. Portanto, analisando meu caso, o transporte coletivo não é atrativo, seja pela visão financeira, de segurança ou conforto.

Texto: João Pedro Zettermann

 

Travessias na região carbonífera têm prioridade no transporte hidroviário

DSC_0202   As prefeituras dos municípios da região carbonífera do estado se reuniram com a Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan) nesta segunda-feira (15/09),  em São Jerônimo. O motivo do encontro foi a apresentação do projeto do Plano Hidroviário. Hoje o estado conta com três travessias de passageiros: São Jerônimo e Triunfo; São José do Norte e Rio Grande; Porto Alegre e Guaíba. A travessia de Porto Alegre a Rio Grande  “permitiu um grande aprendizado, principalmente no ponto de vista de aprovação de projetos pela Marinha e órgão ambientais”, garante o diretor de Incentivo ao Desenvolvimento da Metroplan, Dante Larentis. A ideia da realização de um plano que incluísse diversas travessias surgiu a partir do interesse manifestado por municípios como Triunfo, Esteio e Eldorado do Sul. A meta é concluir algumas rotas ainda este ano. Deve ser publicado um edital para licitar a concessão das rotas do Jacuí e de Eldorado mais brevemente. Para definir as rotas da região, ainda é necessário um conjunto mínimo de informações. Um estudo de demanda vai ser realizado para incluir no levantamento de dados. A equipe da Metroplan percorreu a rota de São Jerônimo a Charqueadas para conhecer a profundidade e os possíveis atracadouros. O prefeito de Triunfo, Mauro Poeta, acredita veementemente na alternativa pluvial.  “É um transporte extremamente viável na região, tanto que já foi feito uma vez, antes da década de 1960, com outra tecnologia, outra condição e muito menos demanda, inclusive”, explana. Poeta ressaltou ainda a inclusão do Polo Petroquímico na travessia. Segundo ele centenas de ônibus  atendem os cerca de oito mil funcionários. “Se 50% dos funcionários pudesse ser atendido pelo transporte pluvial, seria um alívio nas vias”. A Metroplan está em contato com o Polo para conhecer a demanda e a melhor maneira de integrá-lo na rota. Segundo levantamento feito do transporte terrestre, só em agosto foram 15 mil usuários na linha Triunfo – Porto Alegre, totalizando 378 viagens, em média. Além do levantamento destas informações, está sendo desenvolvida uma pesquisa com os usuários. Serão uma ou duas perguntas para conhecer o interesse dos usuários em usar esse tipo de transporte.  O diretor Larentis garantiu que a travessia de passageiros entre São Jerônimo e Triunfo será licitada. O tipo de embarcação ainda deve ser definido, mas o modelo que se tem hoje é o utilizado na travessia até Guaíba. Confira o mapa atual do Plano Hidroviário.    Texto e fotos: Evelyn Heinrich

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